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Contaminação – 2009 – :[R]:eview

Não, meu computador ainda não consertou, mas cansei de esperar por isso para continuar o trabalho que eu tenho feito no “Mundo Distopia” e aqui dentro do Steambook.

Esses dias eu assisti com o digníssimo namorado “Contaminação (2009)”, que tem como destaque especial a participação do Val Kilmer (aquele cara loiro que protagonizou um Batman super fora do contexto, lembra?).

Vamos à Sinopse: Em uma estação de pesquisa no ártico, o gelo está derretendo e trás um mamute pré-histórico que esconde em suas entranhas um mortal parasita! Diante deste desastre 4 jovens têm de decidir sobre sacrifício: morrer ou contaminar o mundo inteiro com este parasita.

Eu pensei que seria um filme que exploraria  o confinamento desses 4 jovens, ou quem sabe, que seria um filme como um daqueles de zumbis, afinal, com um nome desse de “contaminação” com certeza seria um filme distópico e apocalíptico do jeitinho que eu adoro.

Por sinal, Contaminação não é um filme bom. Infelizmente!! Há uma porção de ganchos na trama que poderiam ser explorados com potenciais distópicos, mas que infelizmente não são levados adiante. O filme se prende no desespero dos contaminados, em como eles passam mal e descobrem pouco a pouco o que está acontecendo com eles.

Eu classificaria “Contaminação” como mais um daqueles filmes que tentam dar uma lição de moral através de um “acidente biológico”, como se o nosso planeta se “vingasse” do mal que estamos causando. No caso, o aquecimento Global fez aparecer um mamute contaminado por um parasita mega poderoso capaz de aniquilar a raça humana e todos os outros seres vivos da face da terra.

Se você pensar bem, é um exagero quando inclui “os outros seres vivos”, afinal se a Terra estaria se vingando da poluição e do aquecimento global, porque ela mataria não só homens, mas animais também?! Em todo filme distópico uma lei tem que ser respeitada: nós humanos é que somos a ameaça. Sem isso, não faz sentido a lição de moral. Outra coisa chata do filme é que não há nenhum clima de suspense.

Mas, para não dizerem que só falei mal do filme, há um ótimo gancho (mal explorado) de uma tentativa de “Biopunk”, que é quando acontece a tentativa de “espalhar” o mal pela humanidade e correr um vídeo pelo Youtube para “deixar claro” que o desastre foi obra de ativistas…

Esse filme deixou muita a desejar, e ao final fiquei com aquela impressão de que se eu fosse roteirista de cinema e me dessem esse projeto, eu faria totalmente diferente…

Die Welle 2008 – :[Review]:

“Você precisa assistir esse filme baseado em fatos reais sobre um professor de colégial que ao tentar ensinar os alunos sobre o facismo através de uma simulação perde o controle e o negócio vira facismo de verdade!” – a frase que meu amigo usou ao me indicar “A Onda (2008)” como um bom filme não poderia ser uma sinopse melhor.

Baseados em fatos reais de 1967 que foram mal documentados. Dirigido por Dennis Gansel e baseado no livro de Todd Strasser, com 101 minutos de duração, o filme alemão “A Onda” ambientaliza no mundo contemporâneo uma história surpreendente.

Nos primeiros minutos do filme somos apresentados ao Professor Reiner Wenger, que entra em cena dirigindo ao som de “Rock and Roll Highschool” (EL*KE), de casaco de couro, camiseta do Ramones e um ar mais do que despojado para um professor.

Logo se descobre que Reiner é ativista, anarquista e estava mais do que ansioso para seu primeiro dia de aula na semana de projetos, ele lecionaria sobre Anarquia (claro), e parece ser um daqueles professores que todos gostam.

Entretanto seu plano é estragado quando o professor de Autocracia resolve trocar temas com ele, apresentando a diretoria que Reiner influencia de maneira errada seus alunos. Reiner se vê em um impasse: ensinar autocracia, justo algo que ele nem gosta, para uma turma de interessados em autocracia.

Mas logo no primeiro dia de aula Reiner é desafiado pelos alunos e então ao invés de dar uma aula convencional, ele resolve realizar uma demonstração sobre autocracia… primeiro de tudo ele questiona sobre um líder e os alunos logo escolhem que seria ele, dessa forma Reiner passa a querer ser chamador de Sr. Wenger e que todos deveriam mudar de posição.

Ao ser questionado, convence os alunos de que eles estavam dispostos de forma a ajudar a turma de um todo. Nem todos os alunos compram a brincadeira de Reiner, alguns se ofendem, saem da sala, mas a maioria se entrega a brincadeira para “ver no que vai dar”, interessados pela aula.

Ao fim da aula Reiner volta a ser aquele professor legal de sempre, o que faz com que os alunos se sintam mais e mais a vontade na aula afinal, é só uma brincadeira.

Mas as idéias vão surgindo: usar um uniforme (camiseta branca), criar um nome para o grupo, um logotipo, uma saudação, um site, encontro, movimentos… e é quando somos apresentados aos alunos, cada um com sua singularidade. Desde os que se revoltam até aqueles que levam a sério demais.

Alguns alunos melhoram suas notas e seu comportamento o que acaba dando ao professor a idéia de que ele fez algo para um “bem maior” para “a escola” e pouco a pouco ele também é tragado para esse movimento.

Claro, não vou continuar para não dar Spoiler, o filme é muito bom e deve ser assistido. Fora que resumos você encontra por aí na internet.

Por ser alemão ele tem simbologias clássicas da alemanha inclusive visuais no qual o grupo de Wenger (A Onda – Die Welle em alemão) é associado a grupos neonazistas, inclusive arrumando encrenca com alguns punks anarquistas locais.


Particularmente isso me chama muito a atenção por dois motivos: o primeiro é que isola esse tipo de comportamento a tribos urbanas, usando características das mesmas, com isso cria-se uma sensaçao de anistia na sociedade: “afinal esse tipo de comportamento facista não acontece com todo mundo…” mas que vai totalmente contra a proposta do livro (no qual o filme é baseado), que visava criar uma sensação de desconforto na medida em que atitudes comuns do cotidiano se tornavam facistas.

O segundo motivo que esse simbologismo me chama a atenção é identificar nesse simbologismo tribal algo que fazemos diariamente, sejamos undergrounds ou mainstream. Vivemos de culto ao simbolismo. Nos categorizamos o tempo todo e se por um acaso ousamos à iconosclastia, também fazemos isso de forma uniforme como um símbolo àquilo que somos… (mas isso é papo pra outra postagem, não é mesmo?)

Em um geral, “A Onda” é um ótimo filme. As cenas são bem dirigidas e o clima de tensão se instala aos pouquinhos e mostra para quem está assistindo porque o facismo cativou nações inteiras e se instalou tão facilmente… mesmo sendo tão delirante.

Para quem quer ler sobre o experimento de 1967, “A Terceira Onda”, clica aqui.

:[R]:eview – Contatos de 4º Grau

AVISO: Eu vou fazer SPOILER, eu vou!!! Não leia se você não quer saber o final do filme e nem nada que possa estragar a sua diversão.

Nesse fim de ano eu fui ao cinema e um dos filmes que eu assisti foi Contatos de 4º Grau, sobre abdução alienígena e que tem como protagonista Milla Jovovich.

A Sinopse diz o seguinte: Em uma pequena cidade do Alasca, misteriosamente desde a década de 60, todos os anos são registrados um grande número de desaparecimentos. Apesar das diversas investigações do FBI, a verdade nunca foi revelada. Quando a psicóloga Dr. Abigail Tyler começa a gravar suas sessões com pacientes traumatizados, ela acaba descobrindo as mais perturbadoras evidencias de abduções alienígenas, jamais reveladas ao público.

No pôster e na propaganda de TV: “baseado em fatos reais” brilha e as cenas dignas de um “arquivo” aparecem perturbadoras, de uma mulher choramingando e dizendo que foi abduzida.

Eu achei que o filme fosse de ficção – uma simulação do que poderia ter sido os tais fatos reais -, mas ao começar a projeção, logo após os trailers vem a Milla Jovovich dizer que as cenas do filme são perturbadoras, que os nomes das pessoas foram trocados para protegê-las e que ela estaria representando a Dra. Abigail Tyler que descobriu coisas pavorosas! (Não era mais fácil e menos custoso colocar um “proibido para menores de 18 anos” e coisa do tipo?)

O filme alterna entre um documentário – do Diretor do Filme entrevistando aquela que seria a verdadeira Dra. Tyler –, os trechos filmados pela psicóloga caseiramente em 2005 e a simulação com Milla Jovovich e outros autores… logo no comecinho do filme você já pensa “Mas se é baseado em fatos reais, qual é a desse documentário?”

O filme todo é construído dessa forma: Temos a médica contando sua versão da história bem convincente em um programa de entrevistas com trechos de sua real pesquisa e câmeras de segurança. Na simulação a Doutura conta com a ajuda de um especialista em sumério, gravações de sons alienígenas e traduções sobre destruir… uma coruja – memória implantada que desfocada lembra um ET – causando insônia, um amigo psicólogo para ajudar que é  imparcial, hipnose, desaparecimentos, pessoas enlouquecendo… e do outro lado um policial achando que a doutora é uma louca e anda cometendo crimes através da hipnose.

As cenas filmadas no consultório passam ao mesmo tempo – e são idênticas – da simulação de Jovovich, o que dá um ar de confusão porque você não consegue ver tudo… isso sem contar que por ser algo a alienígena a gravação fica distorcida e meio velha e sem definição – como uma câmera bem antiga daquelas de fitinha de 1990 e pouco…. que é pra você não ver nada mesmo.

O final é dúbio: de um lado Milla Jovovich interpreta quando a Dra. Tyler descobriu a verdade por trás da morte do marido e é desestruturada e taxada como louca pelo amigo psicólogo. Do outro, o entrevistador fala com a verdadeira doutora que acredita piamente que foi abduzida e parece nitidamente perturbada. Volta a Milla Jovovich e o Diretor relatando dados surreais sobre visitas do FBI na cidadezinha…E sobem os créditos ao mesmo tempo que gravações sobre pessoas que viram (ou acham que viram) UFOs (OVNIs) país afora.

Ao sair do filme ainda ficou aquela dúvida: Mas isso é real ou é tudo “Hollywood”? Ainda mais quando você se lembra de que eles estavam dizendo que era baseado em fatos reais… eles não iam mentir, iam?!

Acontece que depois dos momentos de confusão logo na saída do cinema você passa a pensar a respeito da produção e nada faz muito sentido:

1)      Se é um filme de abdução, por que parece uma Possessão?

2)      Mas se a gente que vai decidir se é real ou não, porque o filme tem tanto interesse em dizer que aquilo realmente aconteceu daquela forma com as cenas reais e uma simulação IGUALZINHA?!

3)      Nossa que mulher louca essa Dra. Tyler… Será que ela cometeu mesmo um crime?

Pouco a pouco todo o crédito do “baseado em fatos reais” passa a ser um descrédito por que não há continuidade. Uma coisa não condiz com outra… a menos que seja tudo uma grande mentira. Aí sim, tudo faz sentido… então rapidamente você percebe que o roteiro é medíocre, a produção é medíocre e que o filme não é nada convincente.

É… pra variar é tudo uma mentira.

Afinal, quem lembra de A Bruxa de Blair (o primeiro) sabe que não pode confiar mais nessa brincadeira de “baseado em fatos reais”. Especialmente que ninguém nunca ouvir falar de Nome, no Alasca. Com certeza se os desaparecimentos fossem tão numerosos e o FBI estivesse tanto lá, Spielberg já teria feito um filme de ETs por lá.

Mas um pouquinho de pesquisa e garimpação no Google logo te dá a resposta: É falso. A Imagem Films já confirmou que é falso e teve que pagar uma multa nas escuras para um jornal do Alasca por ter inserido algumas matérias falsas em seu site, inclusive, a Imagem Films teve de retirar um site do “Jornal de Psiquiatria de Nome” no qual a Dra. Abigail Tyler tinha um perturbador artigo sobre insônia e corujas… que dizem que era mal escrito e inverídico (Não sei se era mesmo, pois está fora do ar). Isso sem dizer que a tal cidade de Nome nunca registrou aqueles números absurdos de desaparecimentos…! – E alguns cinéfilos mais críticos ainda atestam terem reparado que o cenário foi re-utilizado em diversas locações (por exemplo um abajur do consultório da “Milla Jovovich” aparecia no quarto “original” do paciente na gravação da “Dra. Tyler”).

Mas a Imagem Films ainda não liberou o nome dos atores das gravações caseiras e da atriz que faz a verdadeira Dra. Tyler, o que eu acho ridículo errado, já que ela fez o mesmo papel da Milla Jovovich, dêem logo o crédito a ela!! A anônima convence mais que a celebridade no papel de “maluca sem causa” por sua inexpressividade (rs), fato!

De zero a 10 eu dou 3, sinceramente se era pra brincar de baseado em fatos reais, que me poupassem das cenas “simuladas” com os atores famosos e deixassem mais com a cara caseira de “A Bruxa de Blair” que é mais emocionante – como provou Cloverfield Monstro, Quarentena e mais um monte de filmes do estilo.

A bizarrice assumida dos CyberGothics

Cansados de serem ridicularizados pelos seus “antecessores” – Cyberpunks, Góticos, Rivetheads etc  – os amantes do estilo “cyber gothic” resolveram se unir.

Não, isso não é uma notícia nova, na verdade é bem velha: foi em 1988 que o termo “cybergoth” surgiu, da união do termo “cyber” com o termo “gótico” pela “Games Workshop Group plc”, famosa produtora de jogos. Mas foi em 1999 que a estética realmente se misturou dentro entre os londrinos e os novaiorquinos da cultura underground industrial, com bases na estética Cyberpunk.

É, o Cybergothic é uma mistureba maluca entre os elementos visuais do Cyberpunk, do Gótico e dos Ravers que tem tantas histórias sobre o surgimento do estilo quanto cores neons em suas roupas.

Mas foi mais recentemente, em 2002, que o grupo começou a se organizar como subcultura, possuindo estética e – obviamente – música.  É Valerie Steele – especialista em história da moda – que atesta o surgimento do Cybergoth como estética e são os usuários dessa moda que atestam o surgimento do Cybergothic como Subcultura.

Não se deixe enganar a estética bebe da fonte Cyberpunk e Raver nitidamente: mistura-se elementos do rivethead (ou industrial) com o forte neon dos ravers, o “Fetish” – não confunda com fetiche – da medicina (seringas, máscaras e símbolos ambulatoriais), do gótico (particularmente ainda procuro onde sahusauhsahusa) e da ficção científica. Sim, eles são uma espécie de ladrões de estilo e por isso são tão abnegados – quem lembrou da subcultura Emo-BR ganhou um ponto!

Logo que eles começaram a ouvir tudo o que fosse Noise, Aggrotech, IDM, EBM… e a invadir o espaço antes apenas de certos grupos foram alvos de deboche e gritou-se aos quatro ventos que eles não existiam – “bizarro” diziam. Bandas famosas fizeram chacota deles, o que apenas instigou a curiosidade pelo estilo para alguns.

Como todo elitismo underground nunca funciona – afinal a subcultura se renova e quem decide o que existe ou não é quem freqüenta o underground, pois não há manuais – pipocaram muitos adeptos e hoje em dia não podemos mais negar aqueles que brilham neon dos pés a cabeça numa pista de dança sem luzes.

Aqui no Brasil eles tentaram se organizar, mas ainda não obtiveram muito sucesso… alguns poucos continuam tentando fazer valer a subcultura que lá fora já tem festas específicas e bandas surgindo no estilo há mais de meia-década.

Sim, ainda é um pouco recente o surgimento e portanto desorganizado, mas há tentativas de organização e já possui sites no estilo “vampire freaks” do gênero. A organização mais frequente é européia, e os Cybergothics são constantemente fotografados em eventos underground da cultura gótica.

Algumas bandas que já se entitulam Cyber-Trance-Gothic. Eu cito duas importantes: Ayria e Ext!ze, símbolos estéticos e musicais do gênero, nascidas com esse rótulo, para esse rótulo. A Ext!ze especialmente faz questão de se afirmar nesse rótulo.

Mas tão importante que a sua história controversa, surgimento e abnegação pelas demais culturas “antecessoras” ao mesmo, são suas regras estéticas. O que vale aqui é ser “bizarro” e “artificial”, assumir de vez o rótulo que antes era de chacota para si e fazer dele um estilo. Dessa forma qualquer um pode gritar que o Cybergothic é ridículo, esquisito, bizarro e rir deles, porque é isso mesmo que eles querem – e não se chateie se ele não ligar, achar bonitinho e ainda rir da sua cara de panaca-arranja-briga. (ehehehe).

Estética Cybergothic:

- O preto é predominante, PONTO!

- O PVC, Borracha, Vinyl, são muito bem vindos

- Mascaras de cirurgia, seringas e símbolos ambulariais também

- Os símbolos do Biohazard e Radioative, também, você pode e deve ter variações em muitas cores.

- Não misture cores, escolha uma cor e se vista todo com ela e preto apenas (Não existem significados nas cores para eles)

- Verniz e muito verniz, se você for do tipo corajoso.

- Lentes coloridas, quanto mais artificial melhor

- Perucas, Cyberlox, Dreadfalls e cabelos coloridos artificialmente é ‘Must Have’

- Neon é TUDO o que brilha no escuro e se você não brilha, não é Cygoth.

- É comum usar cera para tirar as sobrancelhas e pintá-las na testa, vai te dar um jeitão de “alien”.

- Androginia é o que você almeja, quanto mais, melhor.

- Maquiagem exagerada (a linha entre a maquiagem Cybergoth e a Travesti é TÊNUE, muito tênue, tome cuidado).

Uma loja Cybergothic para referência: http://www.cyber-goth.moonfruit.com/

Um site de grupo: http://cgothicm.ning.com/

É que nem aquele papo de bruxas: “Eu não acredito em Cygoths, mas que eles existem, existem”. Rs.

:[R]:eview – Angelspit

Angelspit é uma banda de Industrial – que se auto-intitula de Electro-Punk (wth?) – formada em 2004 em Sydney – Autrália, por DestroyX (vocal) e ZooG (sintetizadores).

O diferencial em seu som está na batida funk, sim, é meio pancadão mesmo e as vezes lembra Black Eyed Peas, Fergie e coisinhas do tipo especialmente por causa dos backing vocals… e nos sintetizadores turbinados com pedais de guitarra – eu queria ver isso ao vivo!! – que gera um som único.

Angelspit fala sobre muitas coisas, mas como uma banda auto-intitulada Punk, fala da apatia da sociedade perante a tecnologia, o governo,  a cultura de massa, o sexismo e similares. Algumas vezes é irônico, outras vezes é sarcástico e em todas às vezes é crítico.

Sua musica mais famosa com certeza é “Vena Cava” que apesar de parecer Cyberpunk e ficar conhecida como tal, é na verdade uma critica à beleza plastificada criada pela indústria. Não que não existam elementos do Cyberpunk na banda, mas não é correto dizer que a banda se atém à apenas este ponto ou que é um “ícone Cyberpunk”.

Em setembro de 2009 Angelspit chegou aos EUA quando fez parte da turnê de aniversário da KMFDM, mas anteriormente já havia feito turnê com Ayria, Angel Theory, The Cruxshadows e outras bandas do estilo.

Eu particularmente adoro o visual deles – mistura alguns elementos (em geral) de culturas underground. É de longe uma das bandas mais bem produzidas do estilo, a vocalista Destroyx é super sensual e seus produtores souberam mesmo como vender esse “fetish” (se é que vocês me entendem). Uma das produções que mais gosto na banda é a do Álbum Blood Death Ivory, que me lembra um pouco da Rainha Vermelha de Alice (de LC).

Apesar disso, eu totalmente discordo desse auto-título que a banda se dá como “electro-punk”, sendo que ela está visivelmente inserida no cenário Industrial / Dark Electro e CyberGoth (os filhos bastardos dos Cyberpunks e dos Góticos).

Mas bem, rótulos são rótulos e como se dizem punks, eles negam todos e assumem apenas o que querem assumir.

O menino do pijama listrado :: [Review]

Poucos são os filmes que ao assistir me deixam em um estado profundo de reflexão. Isso aconteceu esse domingo, quando assisti ao O Menino do Pijama Listrado, baseado no romance de John Boyne.

A sinopse é assim: Bruno é filho de um soldado nazista que muda de Berlim para uma casa próxima a um campo de concentração nazista. Com seus 8 anos de idade, Bruno é inocente e ainda não compreende a guerra nem os motivos do ódio nazista. Sozinho e sem amigos, ele cultiva em segredo uma amizade com Schmuel, um judeu de 8 anos que fica preso no campo de concentração e ali nasce uma grande amizade.

Mas não é só isso que você precisa saber sobre o filme: Gretel, a irmã de Bruno passa de uma garotinha inocente de 12 anos, para uma adolescente manipulada por seu professor de história e se torna pouco a pouco obcessiva com Hitler e sua nação. Ao mesmo tempo, a mãe das crianças passa a brigar com seu marido por não concordar com sua profissão.

Destaco dois personagens secundários com conteúdos para reflexão:  O Tenente Kurt Kotler, um soldado jovem que tenta se auto-afirmar através do seu ódio aos judeus, máscara para o seu medo por ter um pai fugitivo (considerado traidor). E o descascador de batatas, Pavel, que era médico e agora é prisioneiro no campo e trabalha como criado para a família de Bruno.

A amizade entre Bruno e Schmuel é entre a grade de arame farpado elétrico, eles são afetados pelos adultos ao redor deles e pelo medo que possuem dos acontecimentos.

Não vou falar muito do enredo, pois vou acabar estragando a surpresa… Assistam.

Eu achei lindo a fotografia do filme, amarelada, como se fosse uma memória e com um tom muito dramático visualmente falando. A narrativa do filme é silenciosa, o que aumenta a tensão e o ar de “conspiração”. A inocência passa a dar lugar ao ódio sem explicação… o remorso é inerente. A amizade que resta entre os dois meninos (Bruno e Schmuel) é a esperança. Até que o final do filme chega. A narrativa é bem parada nesse momento o que apenas ajuda a trama a ser bem tensa, pesada, cruel.

Aqui no filme o mundo não acaba, mas ele é distópico por simplesmente mostrar uma sociedade controladora, ditatorial, onde você não pode pensar por si só e tudo o que resta é você fazer parte disto… mesmo que não se queira fazer parte disto.

É irônico, sóbrio e doloroso. Filme nota 10.

Leis para as máquinas!

O futuro se aproxima cada vez mais daquilo que víamos apenas como ficção. Quem se lembra de The Jetsons e sua babá robótica Rosie? Você que acha que falta ainda muito tempo para que as máquinas invadirem nossas casas, saiba que está enganado!

Pelo menos é isso que M. Ryan Calo, de Stanford, alega quando sinaliza que as leis norte-americadas estão despreparadas para responder aos robôs com Inteligência Artificial. Ele alega que robôs já são usados para substituítem operários e em breve, não farão apenas cirurgias arriscadas, mas cuidarão de bebês substituindo as babás.

“Esses aparelhos (robôs) não possuem um uso pre-determinado, eles não são torradeiras.“  Ele disse.  “Há uma crescente preocupação sobre ética e robótica, mas estamos esquecendo nessas discussões de pragmáticos advogados sobre o que poderá acontecer no futuro.

M. Ryan Calo propõe que usemos as leis da internet como base para a criação de uma lei para a robótica e suas criações. A robótica hoje é um campo em avanço absoluto, onde mais e mais criações já são realizadas.

“Essas máquinas não são inteligentes, mas são incrivelmente autônomas. Fazem coisas sem serem programadas para fazer.” Disse Paul Saffo, um futurista que esteve presente na Stanford Media X.

Nesse caso a grande questão é:  e se algo der errado a quem vamos culpar?

Seria quem os produz? O engenheiro que os desenvolveu? O programador? A discussão pode se estender durante anos e não será suficiente para saber quem deve pagar pelos danos ou quem deve ser responsabilizado se algo der errado. Mas uma coisa parece certa: até o momento não se pensam em culpar a máquina, apenas os responsáveis pela sua existência.

Em 1998 uma funcionária do complexo de correio San Ramon em Pacific Bell, alegou ter sido machucada por Zippy, um carteiro robô, que passou por cima de seus pés e a jogou contra uma armário de arquivos. O caso foi apagado quando uma quantia foi oferecida para a funcionária. A notícia na época apareceu até no Daily News.

São casos como esse que chamam a atenção e remetem que os problemas do passado não se foram. Enquanto os avanços da robótica tendem a mudar o mundo em nosso futuro, alguns cientistas já se mostram preocupados com a falta de preparo das leis para quando esse futuro fizer parte do nosso presente.

E quanto a esse despreparo, não restam dúvidas!

Enquanto ainda tratarmos do assunto como uma “hipótese do futuro” e não como uma realidade, dificilmente veremos avanços nos campos legislativos sobre essas questões. E como fica a ética até lá? Esperar que algo aconteça para só então se tomar uma decisão a respeito, é muito perigoso, porém, muito comum no mundo dos humanos… infelizmente.

Ken Underground

Foi em abril de 2009 que a mídia mainstream pegou fogo com o underground sombrio. De repente ser gótico, sombrio, distópico, cyberpunk, punk e afins era a maior moda.

Tudo isso foi porque Gareth Pugh (Leia-se Goth Punk, como as pessoas gostam de brincar sobre a sonoridade de seu nome) apresentou em Paris a sua coleção de Verão!

É impossível olhar para uma de suas obras e não ver toda uma temática da subcultura underground estampada. O que para muitos era comum, virou uma originalidade inovadora nas passarelas de Paris… e deixou o pessoal louco e ouriçado. Os modelos – masculinos e femininos – estavam maquiados para terem as mesmas feições andrógenas e as roupas prateadas imediatamente foram associadas à máquinas. Um ou outro elemento vitoriano aqui, para completar. E vários cocares de penas cinzentas, algumas imitando formato de moicanos steampunks/cyberpunk com metais expostos.

Em suas obras anteriores, não precisa de muito para se ver que ele curte o lado sombrio. Até mesmo pelas roupas que o próprio estilista usa, deixa bem claro que sua tentativa é proposital. Nas peças que as pessoas mainstream não usariam nas ruas – mas que muitas você veria facilmente alguém usando em uma festa no Goth Castle -  a construção da estética gótica se faz muito presente.

Entre os artistas que já usaram suas obras estão Kyle Minogue e Lady GaGa.

Entretanto foi esta que mais me chamou a atenção: O Ken Cyberpunk.

Tá, ele ficou conhecido apenas como o Ken Underground “meio punk, meio gótico” como descreveram em milhares de sites na Internet. Mas olhando com mais atenção, a estética “Cyber” está bem colocada especialmente por ele ser um boneco.

O dono da obra, o estilista e designer de moda, Gareth Pugh, disse o seguinte a respeito da sua criação: “Queria que o meu Ken fosse fora do padrão aceitável. Quis que ele fosse contemporâneo. Então eu o vesti com um PVC preto que é uma versão escalonada de um casado da minha coleção masculina e uma calça skinny preta.

Essa versão do boneco foi criada para comemorar o 50° aniversário da Boneca Barbie (a eterna namorada do Ken).

Eu particularmente achei o Ken nessa estética a cara do Victor Love, do Dope Star Inc. Olha aí:

Eu já tinha visto algumas outras desapropiações da Barbie e do Ken – e confesso que quando criança eu brincava de boneca com eles, infelizmente não tinha um boneco legal assim na minha época! – mas essa convergência do Underground e Mainstream é fascinante e assustadora ao mesmo tempo (em resumo, é polêmica).

Eu achei muito propício que um boneco mainstream representante do modelo ideial de “namorado e homem” fosse transformado em um objeto de arte cyberpunk.

Aliás, só com isso, daria para fazer um post enooorme sobre a desconstrução de modelos éticos e afins… afinal, quer algo mais “mundo das idéias” da sociedade do que a beleza perfeita da Barbie e o namoro perfeito dela e do Ken?

Se você quiser ficar sabendo mais sobre o Gareth Pugh e sua coleção, clica aqui!

Cyberpunx :: [Review]

Formada por Rodney Orpheus e Paul Dillion em 1980, na Inglaterra, The Cassandra Complex é uma banda de “eletronic rock” (ou Rock Industrial), logo jogada na cena Darkwave, e que é ativa na cena até os dias de hoje.


Em 1990 a banda lançou o álbum chamado Cyberpunx e se consagrou uma representante da cena Cyberpunk pelos post-punkers de 80/90, tornando-se uma referência para tudo o que veio depois. Vale lembrar que foi em 1990 que o Cyberpunk vivia uma luz mainstream, devido aos sucessos literários da época.

Eu não gosto muito de Rock Industrial – já disse isso por aqui antes – mas o gênero musical agrada muito a comunidade Cyberpunk por aí. Cyberpunx é apontado até hoje como referência musical, como obra Cyberpunk.

O CD de 1990 (Cyberpunx) foi inspirado na obra Neuromancer de William Gibson.  A tentativa era um album de “Rock Opera” como muitas bandas fizeram por aí – e cito a referência como Pink Floyd. -, mas a gravadora detestou a idéia. As músicas tentavam simular um futuro distópico no qual a União Européia estivesse em guerra com os Emirados Árabes (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência e poderes místicos de advinhação do futuro), a gravadora logo recusou, achando que aquilo era “assustador demais” (ei, não é essa a intenção do Cyberpunk?) para um álbum musical.

A Banda lançou o álbum mesmo assim, mas alega ter modificado várias músicas e colocado outras em diversos álbuns que saíram depois. O resultado final foi mencionado pelos membros da banda como um “album bastardo”. Bastardo ou não,  é um álbum que todo mundo aponta como referência na cena industrial e cyberpunk até os dias de hoje.

Um conceituado fórum cyberpunk realizou um review sobre o  The Cassandra Complex – Cyberpunx, alega que por ser um álbum com apenas 5 músicas (das 12 publicadas) com temática distópica e cyberpunk,  e portanto, não é uma Rock Opera completamente Cyberpunk – awwww que pena!, acho que os fãs do Cyberpunk diriam, como eu disse rs.

Quando ouvi o álbum pela primeira vez, confesso que fiquei chateada por confirmar que era um álbum de Rock Eletrônico tão comum como todos os outros álbuns de Julien-K que já ouvi por aí.  Mas aí eu lembrei o Julien-K se formou em 2003, então talvez The Cassandra Complex ganhe pela originalidade na época… mas não deve ter uma importância maior do que ser uma banda da vanguarda.

Infelizmente a gravadora estragou o álbum Cyberpunx, mas eu tenho minhas sérias dúvidas se essa história é uma verdade ou se é uma “desculpa” para um álbum mediano.. hehehe. Mas deixemos esse tipo de discussão para os fóruns de música por aí…! Afinal, a obra foi lançada em 1990 e considerada Cyberpunk, e não vai ser 20 anos depois de toda sua contribuição musical que vão provar o contrário…

Quem gosta de Rock Industrial, certamente vai gostar. The Cassandra Complex é uma banda que executa bem suas músicas e possui uma composição mediana de sons, mas não fica devendo nada para seus similares do ramo musical que surgiram anos depois… (só ficou devendo para os amantes do Cyberpunk mesmo!).

Biohacking, um problema?

Dentro do “faça você mesmo” culturalmente punk existe uma questão que me chama muito a atenção: Biotecnologia, conhecido como “BioPunk”. E dentro do Biopunk, como há também no cyberpunk, existem os hackers – no caso, denominados de Biohackers, que seriam aqueles indivíduos fazendo biotecnologia de forma caseira.

Em maio de 2009, Katherine Aull esperava colaborar com a pesquisa do Câncer e com um “Amplificador de DNA” adquirido no E-bay por US$59 iniciou uma criação caseira de E.Coli… ela publicou diversos artigos em um site Biohacker e teve suas teses citadas na New Scientist (revista).

Recém-formada no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, Katherine criou dentro de seu armário um mini-laboratório, onde realizava suas pesquisas… como muitos. Entretanto isso não foi muito bem visto nos olhos de alguns muitos políticos, que consideraram o biohacking uma questão de “Segurança Nacional”.

Kathrine recebeu ligações de diversos envoltos governamentais de biossegurança, querendo maiores detalhes sobre suas criações e sobre seus colegas que possuíssem o mesmo hobby. Era como se estivessem cometendo um crime e foi procurada para denunciar seus colegas, suas criações e os sites nos quais estava envolvida.

A grande questão é que Katherine alegou estar ajudando o mundo com suas pesquisas e trouxe a público essa questão. Disse que os oficiais do FBI preocupam-se que eles estejam criando armas biotecnicas através da manipulação de DNA… e pronto, a polêmica foi criada!

DNA sintético é facilmente adquirido no mercado, bem como os instrumentos usados para manipulação e armazenamento dessas pesquisas… como são também os materiais para bombas e venenos, que também podem ser usados de armas – e diga-se de passagem que uma simples garrafa de cerveja pode virar um incendiário poderoso.

A Nacional Science Advisory Board of Biosecurity – um braço governamental nos EUA – sugere que os cientistas de garagem sejam regulamentados com licenças, para poderem ou não criar experimentos e adquirir esses materiais. Sugere também que as empresas que vendem esse tipo de material peçam por documentos e ajudem nesse tipo de controle.

O que por um lado é essencial se pensarmos em criações de bacterias novas, manipuladas, que possam infectar algumas pessoas com doenças sem cura… digna cena até então apenas existentes em filmes de terror (e que continue assim!). Não que a solução apontada resolva o problema de segurança por completo, mas ao menos, evita alguns acidentes.