Eu não tenho nada contra a corrente mainstream, só não gosto quando o mainstream pega uma coisa do underground e distorce tudo, como falei aqui!
Recentemente a minha timelime do twitter foi invadida com uma mega passeata na paulista a luz do dia para quem gosta de vampiros. (Eu gosto de vampiros!). Confesso que torci o nariz e “xinguei muito no twitter”, porque na minha opinião vampiros não andam a luz do dia, especialmente neófitos.
Mas para a minha surpresa, o Dia dos Vampiros (13 de agosto) já existe há muito tempo e é oficial na cidade de São Paulo, então ele é o dia perfeito em 2010 (cai numa sexta-feira 13!) para um rebuliço midiático do assunto do momento: Vampirinhos felizes que dão as mãos em busca de um mundo melhor e mais saudável!
Ironias a parte e que minha distopia natural fique esquecida por um tempo (neste parágrafo estou tentando não falar mal da iniciativa e do compromisso social, porque acho isso realmente muito legal), o Dia dos Vampiros organizado pela Liz Vamp (e pessoal do Vox Vampyrica) é legal (embora a única vez que eu fui em um role da Liz Vamp foi uma vez pra nunca mais, porque o som só dava curto).
Uma passeata para angariar doadores de sangue! O tema do momento atrai mais gente, portanto, vampiros é a moda da vez e tem tudo a ver com os organizadores. Tem que ser de manhã, não dá pra ser de noite, afinal os hospitais tiram sangue em horário comercial e de madrugada nem todos os adolescentes fãs de vampiros podem sair de casa, portanto, se é pra ser de sucesso tem que ser direito. Também da pra concorrer a prêmios bem legais como livros de vampiros de escritores brasileiros (alguns eu realmente acho bem legal, outros nem tanto!) e ingressos para brincar no Playcenter (espero que na noite do Terror com os Vampiros do André Vianco!). Desejo todo o sucesso pro evento.
Ok, fiz o jabá.
Mas não, minha gente, eu não aprovo a idéia. Poxa, de novo! Olha lá as pessoas (que deveriam entender o underground, preencher o underground e até levar o underground ao mainstream) distorcendo a coisa toda!! Sendo combustível da queimação toda!
Podem me chamar de conservadora, mas pra mim vampiros bebem sangue (e não doam sangue) e não saem à luz do dia (se o fizerem viram cinzas).
Podem me chamar de cruel, só porque eu não quero doar sangue nessa passeata. Embora para se doar sangue não precisa ser dia 13 de agosto e nem participar de passeata. Os hospitais recebem doações independente das datas.
E podem me dar unfollow no Twitter só porque eu disse que espero que o Van Helsing apareça por lá, ou um nerd-esquizofrênico com metralhadoras carregadas, você sem senso-de-humor.
Mas sabe o que esse evento realmente alimenta?! A distorção de arquétipos culturais. O mainstream pegando algo que é realmente legal e transformando em uma tremenda babaquice, só porque vai divulgar na mídia, fazer um buzz (como dizem) e burburinhos para quem quer ficar famoso. A mídia vai até apoiar a causa por conta da “doação de sangue”, mas pode apostar que irá ridicularizar de novo, os fãs de vampiros. Vai ter repórter imbecil perguntando “se não dá calor” andar de preto todo dia.
De distorção de arquétipos culturais eu estou farta e de saco cheio. E já que todo mundo parece gostar disso e ir na onda, transformando os Vampiros em Fadas (brilham no sol!)… eu humildemente me retiro. Como dizem por aí: os incomodados que se mudem!
A partir de hoje eu torço pros Lobisomens (Quem joga RPG entendeu).
(Obs: Obrigada ao @joserobertov, que me passou o link e esclareceu que havia um motivo por trás da passeata vampírica diurna – a Doação de Sangue – e dêem follow nele, ele é gente boa!).
(Obs2: Esse post representa MINHA opinião e não a do pessoal do Steambook, eu só hosteio meu blog aqui)























